O varejo farmacêutico faturou R$ 243,3 bilhões em 12 meses, segundo a IQVIA. E, dentro de cada farmácia, boa parte desse resultado se decide no estoque. Em 2025, a Pesquisa Abrappe registrou 11,17% de ruptura nas farmácias e drogarias, perdas equivalentes a 1,24% do faturamento e um vencimento que responde por cerca de 48% dessas perdas, com estimativa de até R$ 1,4 bilhão por ano.
Falta produto para vender, sobra produto para vencer e, no meio disso, o dinheiro fica parado com a Selic em 13,75% ao ano. O presidente da Abrappe, Carlos Eduardo Santos, resumiu o objetivo: "ter o produto correto, na quantidade correta, na loja correta e no momento correto."
Este guia reúne, num só lugar, tudo o que a gestão de estoque na farmácia precisa cobrir: os números do mercado, as seis frentes da gestão, os indicadores que importam e a rotina para acompanhá-los. Cada frente tem um artigo próprio, para quem quiser se aprofundar.
O estoque em três números
| O que acontece | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Produto que falta | 11,17% de ruptura nas farmácias | Pesquisa Abrappe 2025 |
| Produto que vence | Até R$ 1,4 bi por ano; cerca de 48% das perdas | Pesquisa Abrappe 2025 (estimativa) |
| De onde vem o vencimento | 45,33% das perdas por vencimento vêm do excesso nas compras | Pesquisa Abrappe/KPMG |
Os três números contam a mesma história: o estoque não está só grande ou pequeno demais. Ele está mal distribuído entre produtos, lojas e momentos.
As seis frentes da gestão de estoque
1. Medir a falta de verdade
A ruptura só vira decisão quando é medida em valor e com causa. Contar itens zerados coloca no mesmo peso o produto que vende todo dia e o que vende uma vez por mês.
- Quanto a falta custa. A ruptura divide-se em comercial (7,27%, compra e abastecimento) e operacional (3,90%, loja). → Ruptura na farmácia: quanto custa o produto que não está na gôndola
- Venda perdida em reais. A média de vendas comum subestima a demanda, porque os dias de falta entram como venda zero. → Venda perdida: como estimar em reais o que a falta de produto custa
- Onde a falta se concentra. A média da rede esconde as lojas; o indicador precisa ser loja a loja, com cobrança justa. → Onde a falta se concentra: a ruptura como indicador de gestão da loja
- Com quais fornecedores. O fabricante também perde a venda em 31% dos casos de ruptura, segundo o estudo da GMA. → Ruptura por fabricante: como usar a falta na negociação com a indústria
2. Repor na ordem certa
Parte da falta está a poucos metros da gôndola. A reposição precisa começar pelo que mais custa, e não pelo que grita mais alto. → Reposição priorizada: comece pelo que mais custa
3. Dimensionar o estoque de cada produto
O excesso nasce num parâmetro mal definido.
- Estoque de segurança, ponto de pedido e estoque máximo, calculados por produto e por loja, respeitando a validade. → Estoque máximo: como saber quando o estoque passou do ponto
- Regras diferentes para cada curva ABC, porque o erro mais caro é ter muito do que vende pouco. → Curva ABC e excesso: o erro de ter muito do que vende pouco
4. Comprar na medida
O produto começa a vencer na decisão de compra. O excesso por fabricante e por comprador mostra onde a compra passa do ponto, e a conta do desconto por volume precisa incluir o custo do dinheiro parado. → Compra na medida: o que o excesso de estoque revela sobre as compras
5. Distribuir entre as lojas
A mesma rede que tem falta numa loja tem sobra na outra.
- Transferir antes de comprar resolve os dois problemas de uma vez, quando a loja de destino tem demanda. → Falta numa loja, sobra na outra: por que transferir antes de comprar
- Entender a causa do desequilíbrio: compra pela média da rede, distribuição por igual e dados de venda distorcidos. → Ruptura e excesso ao mesmo tempo: o paradoxo do estoque mal distribuído
6. Evitar que o estoque vire perda
- Quanto custa o dinheiro parado, mesmo quando o produto não vence. → Dinheiro parado na prateleira: quanto custa o excesso de estoque
- Como o estoque parado vira vencimento, e o que a loja pode fazer antes. → Do excesso à perda: o estoque parado que vira vencimento
Os indicadores que toda farmácia deveria acompanhar
| Indicador | O que mostra | Frequência |
|---|---|---|
| Ruptura em valor | Quanto do sortimento está em falta, ponderado pela venda | Diária |
| Venda perdida | Quanto a falta custou em reais | Semanal |
| Estoque acima do máximo | Quanto dinheiro está em excesso | Semanal |
| Cobertura em dias | Quantos dias o estoque atual atende a demanda | Semanal |
| Itens parados há mais tempo | Onde está o maior risco de vencimento | Semanal |
| Falta e excesso do mesmo produto em lojas diferentes | O tamanho do desequilíbrio da rede | Semanal |
| Perdas por vencimento | Quanto o estoque virou prejuízo | Mensal |
| Acuracidade de inventário | Se o estoque do sistema é o da prateleira | A cada inventário |
A frequência é uma sugestão: o importante é que cada indicador tenha dono e rotina.
A rotina da gestão de estoque
- Todo dia, na loja: repor pela ordem da venda perdida, conferir o depósito antes de pedir e respeitar o "primeiro que vence, primeiro que sai".
- Toda semana, na supervisão: acompanhar a falta e o excesso de cada loja, separar o que é da loja e o que é do abastecimento e definir transferências.
- Todo mês, em compras e na diretoria: rever os parâmetros por curva e por loja, avaliar os descontos por volume e levar os dados de ruptura para a negociação com os fornecedores.
Por que isso importa agora
- Juros altos tornam cada real parado mais caro.
- Concorrência mais forte: as grandes redes somam 11.688 lojas, segundo a Abrafarma, e o cliente que não encontra o produto tem alternativa perto.
- Vencimento é a maior perda do segmento.
- Dados existem, mas estão presos: o sistema de gestão tem a informação, mas raramente a entrega pronta para decidir.
Faltar menos, sobrar menos e perder menos são o mesmo trabalho: colocar o estoque no lugar certo.
Como a MySeer entrega essa visão
A MySeer junta falta e excesso na mesma leitura da rede:
- Falta: em valor e em quantidade, com a venda perdida em reais por fabricante, linha e produto, a falta por curva ABC e o mapa loja a loja.
- Excesso: o valor parado na rede, nas lojas e no centro de distribuição, por fabricante, linha, curva e loja, com os itens parados há mais tempo.
- As duas pontas ligadas: o aviso de quando um produto falta numa loja e sobra em outra, e quanto do excesso a rede consegue absorver.
- Produto a produto: a demanda, o estoque, o que já está pedido, a falta e o excesso de cada item.
- Resumo pronto: a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume a situação e indica o que priorizar.
O gestor deixa de perguntar "temos estoque suficiente?" e passa a perguntar "o estoque está no lugar certo?".
Perguntas frequentes
O que é gestão de estoque na farmácia?
É o conjunto de decisões e rotinas que garantem o produto certo, na quantidade certa, na loja certa e no momento certo. Envolve medir a falta e o excesso, definir parâmetros de compra, distribuir o estoque entre as lojas e evitar perdas por vencimento.
Quais são os principais indicadores de estoque de uma farmácia?
Ruptura em valor, venda perdida, cobertura em dias, estoque acima do máximo, itens parados há mais tempo, perdas por vencimento e acuracidade de inventário. Juntos, eles mostram se o estoque está faltando, sobrando ou virando perda.
Qual o maior erro na gestão de estoque da farmácia?
Tratar falta e excesso como problemas separados. Muitas vezes, os dois têm a mesma origem, um estoque mal distribuído entre produtos e lojas, e a solução de um depende de enxergar o outro.
Quanto as farmácias perdem com estoque?
Segundo a Pesquisa Abrappe 2025, as perdas representaram 1,24% do faturamento do varejo farmacêutico, e o vencimento responde por cerca de 48% delas, com estimativa de até R$ 1,4 bilhão por ano. A isso se soma a venda perdida pela ruptura, de 11,17%.
Fontes
- Abradilan. Farmácias perdem até R$ 1,4 bi por ano com medicamentos vencidos; veja soluções. 1º set. 2026. Pesquisa Abrappe 2025 e declarações do presidente da Abrappe.
- Panorama Farmacêutico. Farmácias lideram perdas no varejo por quebra operacional. 5 jul. 2025. Pesquisa Abrappe/KPMG, 8ª edição, dados de 2024.
- Febrafar. R$ 243 bilhões em faturamento: o varejo farmacêutico cresce, mas não admite mais improviso. 14 jan. 2026. Dados IQVIA.
- Gruen, T.; Corsten, D.; Bharadwaj, S. Retail Out-of-Stocks: A Worldwide Examination of Extent, Causes and Consumer Responses. Grocery Manufacturers of America, 2002.
- Agência Brasil. Ata do Copom atribui corte da Selic à desaceleração da economia. 22 set. 2026.
- Abradilan. Ranking Abrafarma: grandes redes faturaram R$ 118,5 bi em 2025. 1º abr. 2026.
Cofundador e CEO da MySeer, Murilo Itagiba tem 18 anos de experiência no varejo farmacêutico e é especialista em dados aplicados à gestão de farmácias. Atuou por muitos anos como consultor de grandes empresas do setor, apoiando as áreas de compras e vendas na estruturação de processos e indicadores. Hoje lidera a estratégia da MySeer.







