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Reposição priorizada. Comece pelo que mais custa, não pelo que grita mais alto
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Reposição priorizada. Comece pelo que mais custa, não pelo que grita mais alto

Parte da ruptura nas farmácias acontece com o produto no estoque, fora da gôndola. Veja como priorizar a reposição pelo que mais custa em venda perdida.

Paulo Henrique
Paulo Henrique · Especialista em Operação de Lojas da MySeerPublicado em •6 min de leitura

Nem toda ruptura acontece porque o produto acabou. Na Pesquisa Abrappe 2025, a ruptura nas farmácias foi de 11,17%, e 3,90% eram de ruptura operacional: o produto estava no estoque da loja, mas não estava na gôndola. E o estudo internacional mais citado sobre o tema mostrou que 72% das rupturas nascem dentro da loja e do processo de abastecimento, com pedidos atrasados, previsões erradas e falhas de reposição.

Quem já trabalhou em loja conhece a cena: a lista de itens em falta é longa, a equipe é curta, e a reposição começa pelo que o cliente reclamou por último ou pelo que o gerente lembrou. A pergunta que organiza a rotina é outra: o que, se faltar hoje, vai custar mais caro?

Neste artigo você vai ver como priorizar a reposição de estoque na farmácia pelo impacto na venda, e por que a ordem da reposição importa tanto quanto a reposição em si.

O que os números do mercado ensinam

1. Parte da falta está a poucos metros da gôndola

Os 3,90% de ruptura operacional são produtos que a loja já tem. Não dependem de compra nem de fornecedor, só de levar o item do depósito para a área de venda. É a falta mais barata de resolver, e por isso a mais cara de ignorar.

2. A maior parte do problema está ao alcance da própria operação

Se 72% das rupturas nascem na loja e no abastecimento, a solução também está, em boa parte, na rotina da loja: saber o que repor, em que ordem e com que frequência.

3. A ruptura comercial pede outra resposta

Os outros 7,27% de ruptura nas farmácias são comerciais: o produto não foi comprado em quantidade suficiente ou não chegou à loja. Aí o caminho é o pedido, a transferência entre lojas ou o fornecedor. Separar os dois tipos evita que a loja procure no depósito o que nunca chegou, ou que o comprador compre o que está parado no depósito.

Reposição de verdade: o conceito em quatro perguntas

1. Quanto cada falta está custando?

A lista de itens zerados precisa vir ordenada pelo impacto: a venda perdida estimada de cada produto. Um item que vende todo dia e está em falta custa mais do que dez itens que vendem uma vez por mês.

2. O produto está no depósito ou não está na loja?

Antes de pedir, confira o depósito. Se o produto está lá, é reposição de gôndola, e a solução é imediata. Se não está, é reposição de estoque: pedido, transferência de outra loja ou cobrança do fornecedor.

3. A falta está nos produtos que mais vendem?

Os itens de curva A vão para o topo da lista. Na farmácia, vale ainda olhar os medicamentos de uso contínuo: o cliente que não encontra o remédio de todo mês pode não voltar.

4. É a primeira vez ou falta sempre?

Um item que falta toda semana não precisa só de reposição. Precisa que alguém descubra por quê: parâmetro de compra baixo, espaço pequeno na gôndola, rotina de reposição fora do horário de pico.

Exemplo hipotético: numa manhã, a loja tem 40 itens em falta. Ordenados pela venda perdida, os 8 primeiros respondem pela maior parte do valor. Começar por eles, antes dos outros 32, resolve a maior parte do problema na primeira hora.

Por que isso importa agora

  • O cliente não espera. Quem precisa do medicamento agora compra no concorrente mais próximo.
  • A equipe é limitada. Com pouca gente e muito a fazer, cada minuto de reposição precisa ir para o que mais pesa.
  • Uso contínuo, cliente contínuo. Faltar o medicamento de todo mês arrisca a compra deste mês e as dos próximos.
  • Reclamação não é critério. O item mais reclamado nem sempre é o que mais custa.

Começar pelo que mais custa, não pelo que grita mais alto.

Por que a maioria das lojas ainda repõe no improviso

  • O relatório de ruptura lista os itens em falta, mas não diz quanto cada um custa.
  • A loja não sabe, sem conferir, se o item está no depósito ou se não chegou.
  • A reposição é feita na ordem do corredor, e não na ordem do impacto.
  • A mesma falta volta toda semana, e ninguém liga os pontos.

Como a MySeer entrega essa visão

A MySeer transforma a lista de faltas numa ordem de ataque:

  • Reposição priorizada. Fabricantes e produtos ordenados da maior venda perdida para a menor.
  • Falta em valor e em quantidade. Com a evolução dos últimos dias, para ver se a situação melhora ou piora.
  • Falta onde mais dói. A falta por curva ABC mostra se ela está nos produtos que mais vendem.
  • Loja por loja. O mapa da falta mostra quais lojas concentram o problema.
  • Itens que faltam sempre. A falta crônica fica à vista, para tratar a causa.
Indicadores de falta em valor e em quantidade, com a evolução dos últimos dias
Neste exemplo, a falta em valor (7,24%) é maior que a falta em quantidade (4,68%): faltam proporcionalmente mais os itens que valem mais. É por eles que a reposição deve começar. Dados fictícios.

E, para ir além, a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume a falta da rede e indica quais fabricantes repor primeiro.

A loja deixa de perguntar "o que está faltando?" e passa a perguntar "o que eu reponho primeiro?".

Cinco perguntas para a rotina da loja

  1. A lista de falta de hoje está ordenada pela venda perdida?
  2. Quais itens em falta estão, na verdade, no depósito?
  3. Quais medicamentos de uso contínuo estão em falta agora?
  4. Quais itens faltaram mais de uma vez nas últimas semanas?
  5. A reposição acontece antes dos horários de maior movimento?

Se a loja não responde a essas perguntas, a reposição está sendo feita por ordem de chegada, e não por ordem de importância.

Perguntas frequentes

O que é ruptura operacional?

É quando o produto está no estoque da loja, mas não está na gôndola ao alcance do cliente. Segundo a Pesquisa Abrappe 2025, esse tipo de ruptura foi de 3,90% nas farmácias e drogarias.

Por onde começar a reposição na loja?

Pelos produtos que mais custam quando faltam: os de maior venda e maior valor, em geral da curva A. A lista de itens zerados deve ser ordenada pela venda perdida, e não pela ordem em que as reclamações chegam.

Qual a diferença entre reposição de gôndola e reposição de estoque?

A reposição de gôndola leva o produto do depósito da loja para a área de venda. A reposição de estoque traz o produto do fornecedor ou do centro de distribuição para a loja. As duas causam ruptura quando falham, mas têm responsáveis diferentes.

Como evitar que a mesma falta volte?

Olhando a causa. Se o produto estava no depósito, o problema é a rotina de reposição da loja. Se não havia estoque, o problema está no pedido ou no parâmetro de compra. Itens que faltam sempre pedem revisão do processo, e não só uma nova reposição.

Fontes

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Paulo Henrique
Sobre o autorPaulo HenriqueEspecialista em Operação de Lojas da MySeer

Especialista em Operação de Lojas da MySeer, Paulo Henrique construiu a carreira dentro da farmácia: começou no atendimento e no caixa, foi gerente e depois supervisor de lojas. Conhece a rotina da loja na prática, da gôndola ao fechamento do caixa, e tem experiência em gestão de estoque no ponto de venda.

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