Em 2025, a ruptura nas farmácias e drogarias brasileiras chegou a 11,17%, segundo a Pesquisa Abrappe de perdas no varejo. De forma simplificada, é como se, a cada 100 itens que deveriam estar à venda, 11 não estivessem ao alcance do cliente.
Todo gestor sabe que ruptura é ruim. O problema é que a pergunta que normalmente se faz ("o que está faltando?") gera uma lista enorme de itens zerados, sem dizer por onde começar. A pergunta que resolve é outra: quanto a falta está custando, e onde agir primeiro?
Neste artigo você vai ver o que os números do mercado mostram sobre a ruptura na farmácia, como medir o custo real da falta de produto e por que a ordem de ataque faz toda a diferença.
O que os números do mercado ensinam
1. A ruptura tem duas origens, e cada uma pede uma solução
A Pesquisa Abrappe separa a ruptura em dois tipos:
- Ruptura comercial (7,27% nas farmácias): o produto não foi comprado em volume suficiente ou não chegou à loja. É um problema de compra e abastecimento.
- Ruptura operacional (3,90%): o produto está no estoque, mas não está na gôndola. É um problema de reposição dentro da loja.
Tratar as duas como uma coisa só leva a respostas erradas. Comprar mais não resolve o produto que está parado no depósito. E cobrar a loja não resolve o pedido que não foi feito.
2. Quando o produto falta, parte da venda vai para o concorrente
O estudo mais citado sobre o tema, feito com varejistas de bens de consumo em vários países, mostrou o que o cliente faz quando não encontra o produto: 31% compram em outra loja, 26% levam outra marca, 19% levam outra versão da mesma marca, 15% adiam a compra e 9% desistem.
Ou seja: em 4 de cada 10 casos, o varejista perde a venda. Na farmácia, esse risco tende a ser ainda maior: quem precisa do medicamento hoje não costuma esperar.
3. Falta e sobra convivem na mesma rede
A mesma pesquisa da Abrappe mostra que 78,98% das quebras operacionais das farmácias estão ligadas à validade dos produtos. A mesma rede que perde venda por falta perde dinheiro com produto vencendo na prateleira. É o sinal de um estoque que existe, mas está no lugar errado.
Ruptura de verdade: o conceito em quatro perguntas
Medir a ruptura de forma útil é responder a quatro perguntas.
1. Quanto a falta está custando em venda perdida?
Contar itens zerados não mostra o tamanho do problema. O que importa é a venda perdida em reais. Uma estimativa simples: venda média diária do produto × dias em falta × preço.
Exemplo hipotético: um produto que vende 10 unidades por dia, a R$ 30, e ficou 3 dias em falta representa cerca de R$ 900 em venda perdida só em uma loja.
2. A falta está nos produtos que mais vendem?
Faltar um item de baixo giro é diferente de faltar um item da curva A. A mesma taxa de ruptura pode custar muito ou pouco, dependendo de onde ela está.
3. É falta de compra ou falta de reposição?
Se o produto não existe no estoque, o problema está na compra (ruptura comercial). Se existe no estoque e não está na gôndola, está na loja (ruptura operacional). Cada caso tem um responsável diferente.
4. O produto está sobrando em outra loja?
Antes de fazer um pedido novo, vale saber se o mesmo produto está parado em outra loja da rede. Transferir antes de comprar resolve a falta e reduz o excesso de uma vez.
Por que isso importa agora
- Concorrência na porta. As grandes redes seguem abrindo lojas, e o cliente tem cada vez mais opções por perto. Quem não encontra o produto não precisa andar muito para comprar no concorrente.
- Fidelidade em jogo. Muitos clientes de farmácia compram medicamentos de uso contínuo. Quando o cliente troca de farmácia por causa de uma falta, você pode perder também as próximas compras dele.
- Capital limitado. Comprar mais de tudo para evitar falta aumenta o estoque parado e o risco de vencimento. A saída não é ter mais estoque, e sim ter o estoque certo no lugar certo.
Produto em falta na gôndola é venda que vai para o concorrente.
Por que a maioria das farmácias ainda não enxerga isso
Na prática, a ruptura costuma ser tratada assim:
- O relatório lista quantos itens estão zerados, mas não quanto cada falta custa.
- A reposição começa pelo que grita mais alto, a reclamação do balcão ou o pedido da loja, e não pelo que mais pesa no resultado.
- Cada loja olha só para o próprio estoque. Ninguém vê que o produto que falta numa loja está sobrando na outra.
O resultado é muito esforço de reposição com pouco efeito na venda.
Como a MySeer entrega essa visão
A MySeer transforma os dados de estoque e venda que a rede já tem em respostas para as quatro perguntas:
- Perda à vista. A venda perdida estimada, em reais, por fabricante, linha de produto e item.
- Reposição priorizada. Os fabricantes e produtos ordenados da maior perda para a menor, para começar pelo que mais custa.
- Falta onde mais dói. A falta por curva ABC mostra se ela está justamente nos produtos que mais vendem.
- Transferir antes de comprar. O aviso de quando um produto falta numa loja e sobra em outra.
- Loja certa. O mapa da falta loja a loja, para saber quem concentra o problema.
E, para ir além, a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume a falta da rede e sugere o que priorizar.
O gestor deixa de perguntar "o que está faltando?" e passa a perguntar "o que repor primeiro?".
Cinco perguntas para levar à próxima reunião de estoque
- Quanto a falta de produto custou em venda perdida no último mês?
- Quais fabricantes concentram a maior parte dessa perda?
- A falta está nos itens de curva A ou nos de baixo giro?
- Quanto da ruptura é de compra e quanto é de reposição na loja?
- Quantos produtos em falta estavam sobrando em outra loja da rede?
Se a sua rede não consegue responder a essas perguntas com números, a reposição está sendo feita no escuro.
Perguntas frequentes
O que é ruptura na farmácia?
É quando o cliente procura um produto que a farmácia deveria ter à venda e não encontra. A ruptura pode ser comercial, quando o produto não foi comprado em volume suficiente ou não chegou à loja, ou operacional, quando o produto está no estoque mas não está na gôndola.
Qual é o índice de ruptura nas farmácias brasileiras?
Segundo a Pesquisa Abrappe 2025, a ruptura em farmácias e drogarias foi de 11,17%, sendo 7,27% de ruptura comercial e 3,90% de ruptura operacional.
Como calcular a venda perdida por ruptura?
Uma forma simples é multiplicar a venda média diária do produto pelo número de dias em que ele ficou em falta e pelo preço de venda. Somando os produtos, você chega a uma estimativa em reais do que a falta custou.
Por onde começar a combater a ruptura?
Pelos produtos e fabricantes que geram a maior venda perdida, e não pela lista de itens zerados. Antes de comprar, confira se o produto está sobrando em outra loja da rede e pode ser transferido.
Fontes
- Abradilan. Farmácias perdem até R$ 1,4 bi por ano com medicamentos vencidos; veja soluções. 1º set. 2026. Dados da Pesquisa Abrappe 2025 para farmácias e drogarias.
- KPMG e Abrappe. Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2025. 14 jan. 2026.
- Gruen, T.; Corsten, D.; Bharadwaj, S. Retail Out-of-Stocks: A Worldwide Examination of Extent, Causes and Consumer Responses. Grocery Manufacturers of America, 2002.
Cofundador e CEO da MySeer, Murilo Itagiba tem 18 anos de experiência no varejo farmacêutico e é especialista em dados aplicados à gestão de farmácias. Atuou por muitos anos como consultor de grandes empresas do setor, apoiando as áreas de compras e vendas na estruturação de processos e indicadores. Hoje lidera a estratégia da MySeer.







