Em 2025, o varejo brasileiro perdeu R$ 42,1 bilhões, segundo a 9ª Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas, feita com a Protiviti. O índice médio de perdas subiu de 1,51% para 1,65% do faturamento. Nas farmácias, o índice ficou em 1,24%, praticamente igual aos 1,25% do ano anterior. Mas a estabilidade esconde uma mudança: a pesquisa aponta o aumento dos furtos de medicamentos de alto valor, com destaque para as canetas da classe GLP-1, como o Ozempic.
E a maior parte das ocorrências é de rotina. Na edição anterior da pesquisa, feita com a KPMG, a quebra operacional respondeu por 65,21% das ocorrências de perda nas farmácias, o maior percentual entre os 17 segmentos do varejo analisados. Ela vem de manuseio incorreto, armazenagem inadequada, avaria e validade vencida: produto que vence, que quebra, que some do inventário sem ninguém saber por quê.
1,24% parece pouco. Mas, para uma farmácia que trabalha com margem líquida apertada, é uma fatia grande do lucro. Neste guia você vai ver os tipos de perda da farmácia, como colocar todos numa conta só e qual é a rotina de prevenção que funciona na loja.
O que os números do mercado ensinam
1. A perda da farmácia é, antes de tudo, operacional
Quando dois terços das ocorrências de perda vêm da quebra operacional, a prevenção não é só câmera e segurança. É validade, manuseio, armazenagem, recebimento e inventário. Ou seja: é rotina de loja e decisão de compra.
2. O furto mudou de perfil
Os furtos se concentram cada vez mais em produtos de alto valor e fácil revenda. Um único item furtado pesa como dezenas de itens comuns. Saber quais produtos e quais lojas concentram o furto vale mais do que olhar só o total.
3. Índice estável não é índice controlado
Um índice que fica parado de um ano para o outro pode esconder lojas que melhoraram e lojas que pioraram muito. A média da rede só ajuda quando dá para abrir loja a loja e tipo a tipo.
Os sete números da prevenção de perdas
Na farmácia, quatro números medem a mercadoria perdida e três são sinais que ajudam a encontrar erro e risco.
As perdas de mercadoria
- Vencido. O produto que passou da validade. Na farmácia, nasce quase sempre no excesso: na pesquisa da Abrappe com a KPMG, o excesso nas compras foi a principal causa de vencimento, com 45,33%. Veja como agir no artigo sobre produtos vencidos.
- Avaria. O produto quebrado, amassado ou danificado no recebimento, no transporte ou na loja. Aponta problema de manuseio, de exposição ou de armazenagem.
- Furto. O produto que saiu sem ser vendido. Só aparece nos números se a loja lança a perda com esse motivo. O que não é lançado não existe para a gestão.
- Quebra de inventário. A diferença entre o que o sistema dizia ter e o que foi contado. É o retrato do que se perdeu sem registro: furto não identificado, erro de entrada, venda lançada no produto errado.
Os sinais de risco
- Venda cancelada. O cliente chegou ao caixa e a venda não aconteceu. Cancelamento fora do padrão numa loja, num horário ou num funcionário pede uma olhada mais de perto.
- Devolução. O produto que voltou. Devolução alta pode ser problema de atendimento, de produto ou de processo.
- Estoque negativo. O sistema mostra que a loja vendeu mais do que tinha. É sinal de entrada não lançada, venda no código errado ou transferência sem registro, e distorce a reposição. Veja o artigo sobre estoque negativo.
Uma conta só: a perda em percentual da venda
Cada tipo de perda costuma morar num relatório diferente, com um dono diferente. O primeiro passo da prevenção é somar tudo e comparar com a venda. O índice de perdas é o valor das perdas do período dividido pela venda do mesmo período.
Em percentual, a perda fica comparável: entre meses, entre lojas grandes e pequenas, e com o mercado.
Exemplo hipotético: uma rede vende R$ 2 milhões por mês e tem índice de perdas de 1,24%, igual à média das farmácias. São R$ 24.800 por mês, quase R$ 300 mil por ano. Abrindo loja a loja, a rede descobre que duas lojas estão acima de 2% e respondem por metade da perda. O problema deixa de ser "a rede perde muito" e passa a ser "estas duas lojas, neste tipo de perda".
O índice só é confiável se a perda for lançada. Uma loja com perda zerada pode ser uma loja exemplar ou uma loja que não registra nada. A quebra de inventário costuma revelar qual das duas é.
A rotina da prevenção de perdas
A prevenção que funciona é a que vira hábito, com um ritmo para cada coisa.
- Todo dia, na loja: lançar as avarias e as perdas no momento em que acontecem, com o motivo certo. Conferir os cancelamentos do caixa.
- Toda semana: olhar os produtos que vão vencer e decidir transferência, ação de venda ou troca. Corrigir o estoque negativo antes que ele atrapalhe a reposição.
- Todo mês: acompanhar o índice de perdas por loja e por tipo, e comparar com o mês anterior e com o mesmo mês do ano passado.
- Em cada inventário: comparar a quebra de cada loja e investigar os produtos que mais divergem.
Por que isso importa agora
- A margem não tem folga. Com a margem pressionada, cada ponto de perda sai direto do lucro.
- O furto ficou mais caro. Produtos de alto valor transformam poucos furtos em muito dinheiro.
- O vencimento nasce na compra. A maior causa de vencimento é o excesso comprado, e ele só aparece meses depois, na loja.
- O que não é medido não melhora. Sem o índice por loja e por tipo, a cobrança vira impressão.
Perda que ninguém mede vira custo de todo mês.
Por que a maioria das redes não enxerga a perda inteira
- O vencido está num relatório, a avaria em outro, o inventário numa planilha e o cancelamento no sistema do caixa.
- Cada perda é olhada em reais, sem comparar com a venda da loja, e a loja grande sempre parece a pior.
- A perda que não é lançada some, e a loja que não registra parece a melhor da rede.
- O inventário é feito, a diferença é ajustada e ninguém pergunta por que ela aconteceu.
Como a MySeer entrega essa visão
A MySeer reúne os indicadores de perda da rede numa tela só, contra a venda:
- Todas as perdas lado a lado. Vencido, avaria, furto, quebra de inventário e as perdas totais, em percentual da venda, com o cancelamento, a devolução e o estoque negativo ao lado.
- O vencido mês a mês. Em valor e em percentual, para ver se a perda está caindo ou subindo.
- Até o produto. Todos os indicadores produto a produto, para chegar ao item que concentra a perda.
- As perdas lançadas em detalhe. Um painel próprio para as avarias e demais perdas registradas, por departamento, motivo, loja e produto, com a evolução mês a mês.
E a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume as perdas da rede e indica onde regularizar o estoque, como atacar o vencido e o que acompanhar.
A rede deixa de perguntar "quanto perdemos?" e passa a perguntar "onde, em qual tipo de perda e o que vamos fazer?".
A prevenção de perdas se conecta com o resto da gestão: veja como o estoque parado vira vencimento, o que o excesso revela sobre as compras e o guia de gestão de estoque na farmácia.
Seis perguntas para a próxima reunião de prevenção
- Qual foi o índice de perdas da rede no mês, e como ele se compara com o mesmo mês do ano passado?
- Quais lojas estão acima da média da rede, e em qual tipo de perda?
- Alguma loja tem perda zerada? Ela é exemplar ou não está lançando?
- Quais produtos concentram o vencido e o furto?
- Quanto a rede tem em estoque negativo, e em quais linhas?
- Qual foi a quebra do último inventário, loja a loja, e alguém investigou a causa?
Se a rede só descobre quanto perdeu quando o inventário fecha, a prevenção de perdas ainda não faz parte da rotina.
Perguntas frequentes
O que é prevenção de perdas na farmácia?
É o trabalho de medir, entender e reduzir tudo o que a farmácia perde de mercadoria e de venda, como produto vencido, avariado ou furtado, diferença de inventário e erros de operação. Começa por colocar todas as perdas numa conta só, comparadas com a venda.
Quanto as farmácias perdem?
Segundo a 9ª Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas, o índice de perdas das farmácias foi de 1,24% do faturamento em 2025, praticamente igual aos 1,25% de 2024. No varejo como um todo, as perdas somaram R$ 42,1 bilhões, com índice médio de 1,65%.
Quais são os principais tipos de perda na farmácia?
Vencido, avaria, furto e quebra de inventário são as perdas de mercadoria. Venda cancelada, devolução e estoque negativo são sinais que ajudam a encontrar erro de operação e risco. Na pesquisa da Abrappe com a KPMG, a quebra operacional, que inclui o vencimento e a avaria, respondeu pela maior parte das ocorrências de perda nas farmácias.
Como calcular o índice de perdas?
Some o valor de todas as perdas do período e divida pela venda do mesmo período. O resultado em percentual permite comparar meses, lojas e redes de tamanhos diferentes e acompanhar se a perda está subindo ou caindo.
Quem é responsável pela prevenção de perdas?
Todo mundo, cada um na sua parte. O comprador evita o excesso que vira vencimento, a loja cuida do manuseio, do lançamento das perdas e do inventário, e a gestão acompanha o índice por loja e cobra a ação. Sem medir, ninguém sabe qual parte está falhando.
Fontes
- Carta Capital. Varejo brasileiro perde R$ 42 bilhões em 2025, e Ozempic aparece entre os vilões do setor. 9 jun. 2026. 9ª Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas no Varejo Brasileiro, com a Protiviti, dados de 2025.
- Gironews. Perdas no varejo: R$ 42 bilhões que o Brasil não pode mais ignorar. 7 jul. 2026. 9ª Pesquisa Abrappe.
- Panorama Farmacêutico. Farmácias lideram perdas no varejo por quebra operacional. 5 jul. 2025. Pesquisa Abrappe/KPMG, 8ª edição, dados de 2024.
Especialista em Operação de Lojas da MySeer, Paulo Henrique construiu a carreira dentro da farmácia: começou no atendimento e no caixa, foi gerente e depois supervisor de lojas. Conhece a rotina da loja na prática, da gôndola ao fechamento do caixa, e tem experiência em gestão de estoque no ponto de venda.







