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Prevenção de perdas na farmácia. O guia para colocar todas as perdas numa conta só
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Prevenção de perdas na farmácia. O guia para colocar todas as perdas numa conta só

As farmácias perderam 1,24% do faturamento em 2025, segundo a Abrappe. Veja os tipos de perda, como medir tudo numa conta só e a rotina de prevenção na loja.

Paulo Henrique
Paulo Henrique · Especialista em Operação de Lojas da MySeerPublicado em •8 min de leitura

Em 2025, o varejo brasileiro perdeu R$ 42,1 bilhões, segundo a 9ª Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas, feita com a Protiviti. O índice médio de perdas subiu de 1,51% para 1,65% do faturamento. Nas farmácias, o índice ficou em 1,24%, praticamente igual aos 1,25% do ano anterior. Mas a estabilidade esconde uma mudança: a pesquisa aponta o aumento dos furtos de medicamentos de alto valor, com destaque para as canetas da classe GLP-1, como o Ozempic.

E a maior parte das ocorrências é de rotina. Na edição anterior da pesquisa, feita com a KPMG, a quebra operacional respondeu por 65,21% das ocorrências de perda nas farmácias, o maior percentual entre os 17 segmentos do varejo analisados. Ela vem de manuseio incorreto, armazenagem inadequada, avaria e validade vencida: produto que vence, que quebra, que some do inventário sem ninguém saber por quê.

1,24% parece pouco. Mas, para uma farmácia que trabalha com margem líquida apertada, é uma fatia grande do lucro. Neste guia você vai ver os tipos de perda da farmácia, como colocar todos numa conta só e qual é a rotina de prevenção que funciona na loja.

O que os números do mercado ensinam

1. A perda da farmácia é, antes de tudo, operacional

Quando dois terços das ocorrências de perda vêm da quebra operacional, a prevenção não é só câmera e segurança. É validade, manuseio, armazenagem, recebimento e inventário. Ou seja: é rotina de loja e decisão de compra.

2. O furto mudou de perfil

Os furtos se concentram cada vez mais em produtos de alto valor e fácil revenda. Um único item furtado pesa como dezenas de itens comuns. Saber quais produtos e quais lojas concentram o furto vale mais do que olhar só o total.

3. Índice estável não é índice controlado

Um índice que fica parado de um ano para o outro pode esconder lojas que melhoraram e lojas que pioraram muito. A média da rede só ajuda quando dá para abrir loja a loja e tipo a tipo.

Os sete números da prevenção de perdas

Na farmácia, quatro números medem a mercadoria perdida e três são sinais que ajudam a encontrar erro e risco.

As perdas de mercadoria

  1. Vencido. O produto que passou da validade. Na farmácia, nasce quase sempre no excesso: na pesquisa da Abrappe com a KPMG, o excesso nas compras foi a principal causa de vencimento, com 45,33%. Veja como agir no artigo sobre produtos vencidos.
  2. Avaria. O produto quebrado, amassado ou danificado no recebimento, no transporte ou na loja. Aponta problema de manuseio, de exposição ou de armazenagem.
  3. Furto. O produto que saiu sem ser vendido. Só aparece nos números se a loja lança a perda com esse motivo. O que não é lançado não existe para a gestão.
  4. Quebra de inventário. A diferença entre o que o sistema dizia ter e o que foi contado. É o retrato do que se perdeu sem registro: furto não identificado, erro de entrada, venda lançada no produto errado.

Os sinais de risco

  1. Venda cancelada. O cliente chegou ao caixa e a venda não aconteceu. Cancelamento fora do padrão numa loja, num horário ou num funcionário pede uma olhada mais de perto.
  2. Devolução. O produto que voltou. Devolução alta pode ser problema de atendimento, de produto ou de processo.
  3. Estoque negativo. O sistema mostra que a loja vendeu mais do que tinha. É sinal de entrada não lançada, venda no código errado ou transferência sem registro, e distorce a reposição. Veja o artigo sobre estoque negativo.

Uma conta só: a perda em percentual da venda

Cada tipo de perda costuma morar num relatório diferente, com um dono diferente. O primeiro passo da prevenção é somar tudo e comparar com a venda. O índice de perdas é o valor das perdas do período dividido pela venda do mesmo período.

Em percentual, a perda fica comparável: entre meses, entre lojas grandes e pequenas, e com o mercado.

Exemplo hipotético: uma rede vende R$ 2 milhões por mês e tem índice de perdas de 1,24%, igual à média das farmácias. São R$ 24.800 por mês, quase R$ 300 mil por ano. Abrindo loja a loja, a rede descobre que duas lojas estão acima de 2% e respondem por metade da perda. O problema deixa de ser "a rede perde muito" e passa a ser "estas duas lojas, neste tipo de perda".

O índice só é confiável se a perda for lançada. Uma loja com perda zerada pode ser uma loja exemplar ou uma loja que não registra nada. A quebra de inventário costuma revelar qual das duas é.

A rotina da prevenção de perdas

A prevenção que funciona é a que vira hábito, com um ritmo para cada coisa.

  • Todo dia, na loja: lançar as avarias e as perdas no momento em que acontecem, com o motivo certo. Conferir os cancelamentos do caixa.
  • Toda semana: olhar os produtos que vão vencer e decidir transferência, ação de venda ou troca. Corrigir o estoque negativo antes que ele atrapalhe a reposição.
  • Todo mês: acompanhar o índice de perdas por loja e por tipo, e comparar com o mês anterior e com o mesmo mês do ano passado.
  • Em cada inventário: comparar a quebra de cada loja e investigar os produtos que mais divergem.

Por que isso importa agora

  • A margem não tem folga. Com a margem pressionada, cada ponto de perda sai direto do lucro.
  • O furto ficou mais caro. Produtos de alto valor transformam poucos furtos em muito dinheiro.
  • O vencimento nasce na compra. A maior causa de vencimento é o excesso comprado, e ele só aparece meses depois, na loja.
  • O que não é medido não melhora. Sem o índice por loja e por tipo, a cobrança vira impressão.

Perda que ninguém mede vira custo de todo mês.

Por que a maioria das redes não enxerga a perda inteira

  • O vencido está num relatório, a avaria em outro, o inventário numa planilha e o cancelamento no sistema do caixa.
  • Cada perda é olhada em reais, sem comparar com a venda da loja, e a loja grande sempre parece a pior.
  • A perda que não é lançada some, e a loja que não registra parece a melhor da rede.
  • O inventário é feito, a diferença é ajustada e ninguém pergunta por que ela aconteceu.

Como a MySeer entrega essa visão

A MySeer reúne os indicadores de perda da rede numa tela só, contra a venda:

  • Todas as perdas lado a lado. Vencido, avaria, furto, quebra de inventário e as perdas totais, em percentual da venda, com o cancelamento, a devolução e o estoque negativo ao lado.
  • O vencido mês a mês. Em valor e em percentual, para ver se a perda está caindo ou subindo.
  • Até o produto. Todos os indicadores produto a produto, para chegar ao item que concentra a perda.
  • As perdas lançadas em detalhe. Um painel próprio para as avarias e demais perdas registradas, por departamento, motivo, loja e produto, com a evolução mês a mês.
Indicadores de perda da rede numa tela: venda, estoque, estoque negativo, vencido, avaria, furto, quebra, perdas totais, cancelamento e devolução, com o vencido mês a mês
Os indicadores de perda da rede numa tela só, no painel Inspetoria de Prevenção da MySeer. Dados fictícios.

E a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume as perdas da rede e indica onde regularizar o estoque, como atacar o vencido e o que acompanhar.

A rede deixa de perguntar "quanto perdemos?" e passa a perguntar "onde, em qual tipo de perda e o que vamos fazer?".

A prevenção de perdas se conecta com o resto da gestão: veja como o estoque parado vira vencimento, o que o excesso revela sobre as compras e o guia de gestão de estoque na farmácia.

Seis perguntas para a próxima reunião de prevenção

  1. Qual foi o índice de perdas da rede no mês, e como ele se compara com o mesmo mês do ano passado?
  2. Quais lojas estão acima da média da rede, e em qual tipo de perda?
  3. Alguma loja tem perda zerada? Ela é exemplar ou não está lançando?
  4. Quais produtos concentram o vencido e o furto?
  5. Quanto a rede tem em estoque negativo, e em quais linhas?
  6. Qual foi a quebra do último inventário, loja a loja, e alguém investigou a causa?

Se a rede só descobre quanto perdeu quando o inventário fecha, a prevenção de perdas ainda não faz parte da rotina.

Perguntas frequentes

O que é prevenção de perdas na farmácia?

É o trabalho de medir, entender e reduzir tudo o que a farmácia perde de mercadoria e de venda, como produto vencido, avariado ou furtado, diferença de inventário e erros de operação. Começa por colocar todas as perdas numa conta só, comparadas com a venda.

Quanto as farmácias perdem?

Segundo a 9ª Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas, o índice de perdas das farmácias foi de 1,24% do faturamento em 2025, praticamente igual aos 1,25% de 2024. No varejo como um todo, as perdas somaram R$ 42,1 bilhões, com índice médio de 1,65%.

Quais são os principais tipos de perda na farmácia?

Vencido, avaria, furto e quebra de inventário são as perdas de mercadoria. Venda cancelada, devolução e estoque negativo são sinais que ajudam a encontrar erro de operação e risco. Na pesquisa da Abrappe com a KPMG, a quebra operacional, que inclui o vencimento e a avaria, respondeu pela maior parte das ocorrências de perda nas farmácias.

Como calcular o índice de perdas?

Some o valor de todas as perdas do período e divida pela venda do mesmo período. O resultado em percentual permite comparar meses, lojas e redes de tamanhos diferentes e acompanhar se a perda está subindo ou caindo.

Quem é responsável pela prevenção de perdas?

Todo mundo, cada um na sua parte. O comprador evita o excesso que vira vencimento, a loja cuida do manuseio, do lançamento das perdas e do inventário, e a gestão acompanha o índice por loja e cobra a ação. Sem medir, ninguém sabe qual parte está falhando.

Fontes

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Paulo Henrique
Sobre o autorPaulo HenriqueEspecialista em Operação de Lojas da MySeer

Especialista em Operação de Lojas da MySeer, Paulo Henrique construiu a carreira dentro da farmácia: começou no atendimento e no caixa, foi gerente e depois supervisor de lojas. Conhece a rotina da loja na prática, da gôndola ao fechamento do caixa, e tem experiência em gestão de estoque no ponto de venda.

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