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Precificação na farmácia. A venda mudou pelo preço ou pelo volume?
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Precificação na farmácia. A venda mudou pelo preço ou pelo volume?

72% dos consumidores escolhem a farmácia pelo preço, e o reajuste de 2026 foi o menor em 20 anos. Veja como medir se a mudança de preço trouxe volume ou tirou margem.

Murilo Itagiba
Murilo Itagiba · Cofundador e CEO da MySeerPublicado em •7 min de leitura

"Os aumentos não são automáticos." A frase é da Anvisa, ao anunciar o reajuste dos medicamentos de 2026, de 2,47% em média, o menor dos últimos 20 anos. Fabricantes e farmácias podem reajustar menos ou manter os preços, segundo a Agência Brasil.

Ou seja: todo ano, cada rede decide quanto do reajuste repassar, em quais produtos e quando. E decide sabendo que o cliente está olhando. Na pesquisa da Opinion Box de 2026, o preço é o principal critério de escolha da farmácia para 72% dos consumidores, segundo o Guia da Farmácia.

Nesse cenário, cada decisão de preço pesa: baixar pode trazer volume ou só tirar margem; subir pode recompor margem ou afastar o cliente.

A pergunta que toda mudança de preço precisa responder depois é simples: a venda mudou pelo preço ou pelo volume? Neste artigo você vai ver como medir o efeito de uma mudança de preço e como transformar essa medida numa política de preços.

O que os números do mercado ensinam

1. Preço é a primeira régua do cliente

Com quase três quartos dos consumidores escolhendo a farmácia pelo preço, errar o preço dos produtos que o cliente conhece é perder o cliente para a concorrência.

2. O reajuste não carrega mais a margem

Com o menor reajuste em duas décadas, a margem não vem mais da tabela. Ela vem de como a farmácia usa o espaço entre o custo e o teto, produto a produto.

3. Repassar ou não é decisão de gestão

Como o reajuste é um teto e não uma obrigação, cada rede decide onde repassar inteiro, onde repassar em parte e onde segurar o preço. Sem medir o efeito, essa decisão é um palpite.

Efeito preço e efeito volume

Quando a venda de um produto muda de um período para outro, a mudança tem duas origens:

  • Efeito preço: a parte da mudança que veio do preço praticado.
  • Efeito volume: a parte que veio da quantidade vendida.

Separar os dois mostra o que de fato aconteceu. A venda subiu 5% porque o preço subiu e o cliente continuou comprando? Ou porque o preço caiu e o volume compensou? Ou caiu porque o preço subiu e o cliente foi embora?

Exemplo hipotético: um produto custa R$ 12, é vendido a R$ 20 e vende 1.000 unidades por mês. A margem é de R$ 8.000.

  • Se o preço sobe 5%, para R$ 21, e a quantidade cai 10%, para 900 unidades: a venda cai para R$ 18.900, mas a margem sobe para R$ 8.100.
  • Se o preço cai 10%, para R$ 18, e a quantidade sobe 15%, para 1.150 unidades: a venda sobe para R$ 20.700, mas a margem cai para R$ 6.900.

Olhando só a venda, a redução de preço parece a melhor decisão. Olhando a margem, ela foi a pior. Por isso a medida certa de uma mudança de preço é venda e margem juntas.

Antes de concluir, descarte a falta

Uma venda que cai sem mudança de preço quase nunca é problema de preço. A causa mais comum é ruptura: o produto ficou dias em falta e não havia o que vender. Antes de culpar o preço, confira quantos dias o produto ficou sem estoque em cada período. Veja o custo da falta no artigo sobre ruptura na farmácia.

E compare períodos justos: dois meses fechados, do mesmo tamanho, sem uma campanha de um lado e não do outro.

Da medida à política de preços

Medir o efeito de cada mudança permite separar os produtos pelo papel que eles têm na loja:

  • Produtos que o cliente conhece o preço. Medicamentos de uso contínuo e itens de grande giro: o cliente compara. Aqui, preço competitivo traz e mantém o cliente, mesmo com margem menor.
  • Produtos de margem. Itens que o cliente não compara tanto, como muitos de higiene, beleza e conveniência: aqui, a margem pode ser recomposta sem perder volume.
  • Produtos sensíveis a promoção. Os que respondem bem a preço baixo: bons para tabloide e campanhas, desde que a margem compense. Veja como medir no artigo sobre tabloide.

No medicamento, a régua é o preço máximo ao consumidor definido pela CMED: a farmácia decide quanto abaixo do teto vender. Nos produtos de preço livre, a régua é a concorrência e o comportamento do cliente.

Por que isso importa agora

  • A margem está apertada. Com reajuste baixo, cada ponto de preço mal decidido sai do resultado.
  • O cliente compara no celular. Preço fora do mercado nos produtos conhecidos afasta o cliente.
  • O custo continua subindo. O fornecedor reajusta nota a nota; veja como acompanhar no artigo sobre variação de custo de entrada.
  • Desconto sem medida vira hábito. Veja o efeito no artigo sobre descontos na farmácia.

Mexer no preço sem medir o efeito é apostar a margem no escuro.

Por que a maioria das redes não mede o efeito do preço

  • O preço muda, e ninguém volta para comparar a venda e a margem antes e depois.
  • A venda é olhada no total, sem separar o que veio do preço e o que veio do volume.
  • A queda de venda por falta de estoque é confundida com reação ao preço.
  • A política de preços é a mesma para todos os produtos, sem considerar o papel de cada um.

Como a MySeer entrega essa visão

A MySeer compara dois períodos, produto a produto, e mostra se a venda mudou pelo preço ou pelo volume:

  • Período contra período. A quantidade, a venda, o preço médio praticado, o custo e a margem de cada produto nos dois períodos, com a variação em valor e em percentual.
  • Melhorou ou piorou. Cores que mostram, em cada indicador, se o resultado melhorou ou piorou, inclusive no custo, em que subir é piorar.
  • Efeito preço e efeito volume. A variação da venda, do custo e da margem separada no que veio do preço e no que veio da quantidade.
  • A falta ao lado. Os dias em falta e a perda em cada período, para não confundir ruptura com reação ao preço.
Tabela produto a produto com a variação da quantidade, a venda nos dois períodos, a variação da venda e o preço médio em cada período
Produto a produto, a variação da quantidade, da venda e do preço médio entre dois períodos, no painel EPD da MySeer. Dados fictícios.

E a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume a comparação e indica qual preço trouxe volume, qual afastou o cliente e onde a queda foi falta de estoque.

A pergunta deixa de ser "a venda subiu?" e passa a ser "a venda subiu pelo preço ou pelo volume, e a margem acompanhou?".

Para o quadro completo do resultado, veja como acompanhar a margem bruta.

Cinco perguntas para a próxima reunião de preços

  1. Quais produtos mudaram de preço no último mês, e o que aconteceu com a quantidade e a margem?
  2. Alguma redução de preço trouxe venda, mas tirou margem?
  3. Alguma alta de preço afastou o cliente nos produtos que ele conhece?
  4. Nas quedas de venda, o produto estava disponível ou ficou dias em falta?
  5. A rede tem uma política de preço diferente para os produtos que o cliente compara e para os de margem?

Se a rede muda preços sem voltar para medir o efeito, cada mudança é uma aposta.

Perguntas frequentes

O que é precificação na farmácia?

É a definição do preço de venda de cada produto, considerando o custo, a margem desejada, o preço da concorrência, a regulação dos medicamentos e o papel do produto na loja. Uma boa precificação mede o efeito de cada mudança de preço na venda e na margem.

O que é efeito preço e efeito volume?

Quando a venda de um produto muda de um período para outro, parte da mudança vem do preço praticado e parte da quantidade vendida. Separar os dois mostra se a venda cresceu porque o preço subiu, porque se vendeu mais unidades ou pelas duas coisas.

O que é elasticidade preço?

É o quanto a quantidade vendida reage a uma mudança de preço. Produto elástico vende muito mais quando o preço cai e muito menos quando sobe. Produto pouco elástico vende quase o mesmo, qualquer que seja o preço.

A farmácia pode definir livremente o preço do medicamento?

Até o teto. O preço máximo ao consumidor dos medicamentos é regulado pela CMED, e a farmácia pode vender abaixo dele. Produtos de higiene, beleza e conveniência têm preço livre.

Por que a venda pode cair sem mudança de preço?

A causa mais comum é a falta de estoque. Se o produto ficou dias em falta, a venda cai mesmo com o preço igual. Antes de mexer no preço, é preciso conferir se o produto estava disponível.

Fontes

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Murilo Itagiba
Sobre o autorMurilo ItagibaCofundador e CEO da MySeer

Cofundador e CEO da MySeer, Murilo Itagiba tem 18 anos de experiência no varejo farmacêutico e é especialista em dados aplicados à gestão de farmácias. Atuou por muitos anos como consultor de grandes empresas do setor, apoiando as áreas de compras e vendas na estruturação de processos e indicadores. Hoje lidera a estratégia da MySeer.

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