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Margem bruta e CMV na farmácia. O que olhar além do faturamento
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Margem bruta e CMV na farmácia. O que olhar além do faturamento

As grandes redes viram a margem bruta recuar mesmo vendendo mais. Entenda CMV e margem bruta na farmácia e onde a rentabilidade escapa.

Murilo Itagiba
Murilo Itagiba · Cofundador e CEO da MySeerPublicado em •7 min de leitura

No segundo trimestre de 2026, as duas maiores redes de capital aberto do varejo farmacêutico venderam mais e, ainda assim, viram a margem bruta recuar. Na RD Saúde, a receita líquida cresceu 9,8%, mas a margem bruta caiu 0,1 ponto, para 28,9%. Na Pague Menos, as vendas em mesmas lojas cresceram 8%, e a margem também caiu 0,1 ponto, para 30,6%. No mesmo ano, o reajuste médio permitido para os medicamentos foi o menor dos últimos 20 anos, segundo a Anvisa.

Um décimo de ponto parece pouco. Numa operação do tamanho dessas redes, são milhões de reais. Numa rede regional, com margem líquida apertada, pode ser a diferença entre fechar o mês no azul ou no vermelho.

A lição vale para qualquer tamanho: faturamento não paga conta, margem paga. Neste artigo você vai ver o que é margem bruta e CMV na farmácia, por que ela escapa mesmo quando a venda cresce e como acompanhá-la de um jeito que leve à ação.

O que os números do mercado ensinam

1. O mix mexe na margem mais que o preço

A RD Saúde explicou boa parte da pressão pela maior participação dos medicamentos para obesidade e diabetes da classe GLP-1, que têm margens estruturalmente menores. Ou seja: a rede vendeu mais de um produto que vende muito e deixa pouco. Isso acontece em qualquer farmácia. Quando a venda cresce numa linha de margem baixa, o total cresce e a margem percentual cai.

2. O reajuste não carrega mais a margem

As duas redes citaram o menor ganho inflacionário sobre os estoques. Quando os preços sobem, o estoque comprado antes do reajuste passa a ser vendido mais caro, e isso infla a margem por um tempo. Com o menor reajuste médio em duas décadas, esse ganho diminuiu. Margem que dependia do reajuste ficou exposta.

3. Perda, condição comercial e mix compensam

A Pague Menos atribuiu parte da compensação a menores perdas, condições comerciais mais favoráveis e um mix melhor. São três alavancas que estão nas mãos do gestor, e não da tabela da CMED: quanto se perde em vencimento e quebra, como se compra e o que se empurra no balcão.

Margem bruta na farmácia: o conceito em quatro perguntas

Margem bruta é a venda líquida menos o CMV, o custo da mercadoria vendida. Em percentual, é quanto sobra de cada R$ 1 vendido. Para gerir a margem, e não só medi-la, quatro perguntas organizam a leitura.

1. Quanto a margem vale em reais, e não só em percentual?

O percentual mostra a eficiência da venda. Os reais mostram o que paga aluguel, folha e impostos. Uma linha com 60% de margem e pouca venda pode deixar menos dinheiro do que uma linha de 30% que vende dez vezes mais. Olhe sempre os dois números lado a lado.

2. Onde a margem nasce e onde ela escapa?

A margem da rede é a soma de linhas muito diferentes: genéricos, medicamentos de marca, perfumaria, dermocosméticos, conveniência. O mesmo vale para a curva ABC: os itens que mais vendem nem sempre são os que mais deixam margem. Só descendo até a linha, a curva e o produto você descobre o que está puxando o total para baixo.

3. Quanto o desconto está levando?

Cada ponto de desconto sai direto da margem, e o efeito é maior do que parece.

Exemplo hipotético: um produto vendido a R$ 100, com custo de R$ 70, deixa R$ 30 de margem (30%). Com 5% de desconto, ele passa a ser vendido a R$ 95 e deixa R$ 25 (cerca de 26%). A margem em reais por unidade caiu um sexto. Para ganhar os mesmos R$ 30 de antes, a loja precisaria vender 20% mais unidades.

Por isso o desconto precisa ser acompanhado por linha, por tipo de desconto e por produto, e separado da verba que o fornecedor paga para subsidiá-lo.

4. A margem está melhorando ou piorando?

Um mês ruim pode ser campanha, mudança de mix ou ajuste de custo. Doze meses caindo são tendência. Compare a margem com o mês anterior e com o mesmo mês do ano anterior, e olhe também a margem descontando os impostos, como ICMS e PIS/COFINS, que mudam a leitura de algumas linhas.

Por que isso importa agora

  • O reajuste ficou pequeno. Com o reajuste médio de 2026 abaixo da inflação, a margem precisa ser construída na compra, no mix e no controle do desconto.
  • O mix está mudando. Produtos de alto valor e margem menor ganham peso no faturamento. Quem não acompanha a margem por linha cresce em venda e encolhe em resultado.
  • O desconto virou rotina. Programas de fidelidade, convênios, aplicativos e campanhas multiplicaram os tipos de desconto. Sem controle, cada um tira um pouco, e a soma aparece só no fechamento.

Vender mais não adianta se a margem fica pelo caminho.

Por que a maioria das farmácias ainda não enxerga isso

A venda aparece todo dia. A margem, não:

  • O custo correto de cada item está espalhado entre notas de entrada, bonificações e acordos com a indústria.
  • A margem costuma ser apurada uma vez por mês, no total, depois que o mês fechou.
  • A abertura por linha, curva, produto e tipo de desconto exige cruzar várias extrações em planilha.

O resultado é a rede que sabe quanto vendeu ontem, mas só descobre quanto ganhou semanas depois, sem saber onde a margem escapou.

Como a MySeer entrega essa visão

A MySeer cruza venda, custo e margem num só lugar:

  • A margem da rede contra a meta. Em reais e em percentual, com a evolução dos últimos dias.
  • Onde a margem nasce. Por linha de produto, por curva ABC e por produto, com venda, margem e desconto lado a lado.
  • Tendência de doze meses. A margem mês a mês, comparada com o mês e o ano anteriores.
  • Impostos na conta. A margem padrão e a margem descontando ICMS e PIS/COFINS.
  • Desconto sob controle. Quanto a rede concede, em que linhas, com que tipo de desconto e em quais produtos, até a loja e o vendedor, com a verba do fornecedor acompanhada à parte.
Margem bruta por linha de produto: as barras mostram a margem em reais e a curva mostra a margem em percentual
Margem bruta em reais e em percentual por linha de produto, no painel CMV e Margem Bruta da MySeer. Dados fictícios.

E, para ir além, a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume a margem da rede e indica quais linhas e descontos revisar primeiro.

O gestor deixa de perguntar "quanto faturamos?" e passa a perguntar "onde estamos deixando margem na mesa?".

A margem também depende do que a rede compra e de onde o mix está indo: veja o que o excesso de estoque revela sobre as compras e se a sua farmácia está acompanhando a mudança do mix.

Cinco perguntas para levar à próxima reunião de resultados

  1. A margem bruta da rede subiu ou caiu nos últimos doze meses, em reais e em percentual?
  2. Quais linhas cresceram em venda e caíram em margem?
  3. Quais produtos da curva A vendem com margem abaixo da média?
  4. Qual tipo de desconto concede mais, e quanto disso é coberto por verba do fornecedor?
  5. Quanto da margem do último ano veio do reajuste de preços, e não de compra e mix?

Se a resposta da primeira pergunta só sai depois do fechamento contábil, a sua rede está descobrindo a margem tarde demais para agir.

Perguntas frequentes

O que é margem bruta na farmácia?

É a venda líquida menos o custo da mercadoria vendida (CMV). Em percentual, mostra quanto sobra de cada R$ 1 vendido para pagar as despesas da loja e gerar lucro.

O que é CMV?

CMV é o custo da mercadoria vendida, ou seja, quanto a farmácia pagou pelos produtos que vendeu no período. Ele é a base para calcular a margem bruta.

Por que a margem bruta cai mesmo com a venda subindo?

Porque a venda pode crescer em produtos de margem menor, com mais desconto ou com custo de compra mais alto. O mix, o desconto e as condições de compra mexem na margem tanto quanto o preço.

Quanto o desconto pesa na margem?

Mais do que parece. Num exemplo hipotético, um produto com 30% de margem que recebe 5% de desconto passa a ter cerca de 26% de margem, e a margem em reais por unidade cai um sexto. Para compensar, seria preciso vender 20% mais unidades.

Devo olhar a margem em reais ou em percentual?

As duas. O percentual mostra a eficiência de cada venda; os reais mostram o que de fato paga as contas. Uma linha com percentual alto e pouca venda pode gerar menos margem em reais do que uma linha de percentual menor que vende muito.

Fontes

#margem bruta farmácia#CMV farmácia#custo da mercadoria vendida#rentabilidade da farmácia#desconto e margem#mix de produtos e margem
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Murilo Itagiba
Sobre o autorMurilo ItagibaCofundador e CEO da MySeer

Cofundador e CEO da MySeer, Murilo Itagiba tem 18 anos de experiência no varejo farmacêutico e é especialista em dados aplicados à gestão de farmácias. Atuou por muitos anos como consultor de grandes empresas do setor, apoiando as áreas de compras e vendas na estruturação de processos e indicadores. Hoje lidera a estratégia da MySeer.

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