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Variação de custo de entrada. Quando o fornecedor aumenta o preço e ninguém vê
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Variação de custo de entrada. Quando o fornecedor aumenta o preço e ninguém vê

Os medicamentos puderam subir até 3,81% em 2026 e chegam à farmácia nota a nota. Veja como acompanhar a variação de custo de entrada antes que ela coma a margem.

Rafael José
Rafael José · Diretor Comercial da MySeerPublicado em •7 min de leitura

Em 31 de março de 2026, a CMED autorizou o reajuste anual dos medicamentos: até 3,81% para os produtos com mais concorrência, 2,47% para os de concorrência média e 1,13% para os de pouca ou nenhuma concorrência, segundo a Agência Brasil. Para a Anvisa, o reajuste médio foi o menor dos últimos 20 anos. Em anos anteriores, o índice passou de 10%.

Reajuste baixo não quer dizer custo parado. No IPCA de abril, os produtos farmacêuticos subiram 1,77% no mês, logo depois da autorização, e os produtos de higiene pessoal, 1,57%, segundo o IBGE, em dados compilados pelo Observatório de Economia da UFMS. E o aumento não chega à farmácia num comunicado único. Ele chega nota a nota, fornecedor por fornecedor, misturado a centenas de outras entradas.

É aí que mora o problema: custo que sobe sem ninguém ver come a margem em silêncio. Neste artigo você vai ver o que é a variação de custo de entrada, por que ela escapa da maioria das redes e como acompanhá-la de um jeito que leve à ação.

O que os números do mercado ensinam

1. O reajuste é teto, não regra

A Anvisa lembra que os aumentos não são automáticos: fabricantes e farmácias podem reajustar menos ou manter os preços. Na prática, cada fornecedor decide quando e quanto repassar, e cada um faz isso em um momento diferente. Quem só olha o índice do ano não sabe o que de fato chegou na nota.

2. No medicamento, o preço de venda tem limite

O preço máximo ao consumidor é definido pela CMED. Se o custo de compra sobe e o preço de venda já está perto do teto, a farmácia não tem para onde repassar. A diferença sai inteira da margem.

3. Fora do medicamento, o custo sobe a qualquer hora

Higiene, beleza e conveniência têm preço livre e não esperam abril. A própria inflação de abril mostrou altas em higiene pessoal e em perfume. Nessas categorias, o reajuste do fornecedor pode chegar em qualquer mês, e o preço de venda precisa acompanhar a concorrência, não só o custo.

Variação de custo de entrada: o conceito

Variação de custo de entrada é quanto o custo de um produto mudou entre uma compra e outra. Em vez de olhar o custo médio do estoque, ela compara o custo da última nota com o das compras anteriores, produto a produto, em reais e em percentual.

A diferença parece pequena, mas muda tudo. O custo médio dilui a alta: a nota mais cara entra misturada ao estoque antigo e a margem cai aos poucos, sem que ninguém perceba o momento em que ela começou a cair. Olhando compra a compra, a alta aparece no dia em que a nota chega.

Exemplo hipotético: um produto custava R$ 10,00 e é vendido a R$ 15,00, com margem bruta de 33,3%. Na última compra, o custo veio a R$ 10,80, uma alta de 8%. Se o preço de venda já está no teto, a margem cai para 28%. Com 500 unidades vendidas por mês, o lucro bruto desse único item passa de R$ 2.500 para R$ 2.100. São R$ 400 a menos por mês, num produto só, sem que nenhum relatório de venda mostre algo diferente.

Uma alta de custo pede uma de três respostas:

  • Conferir a nota. Alta fora do comum pode ser erro de digitação do custo ou da unidade na entrada. Antes de negociar, confirme que o número é real.
  • Renegociar ou trocar a fonte. Se a alta é real, a conversa com o fornecedor começa com a data e o valor da nota na mão. E, se outro fornecedor vende o mesmo produto mais barato, a compra pode mudar de origem.
  • Rever o preço de venda. Quando não há negociação possível e o preço não está no teto, ajustar o preço protege a margem.

Por que isso importa agora

  • O reajuste baixo deixa a margem exposta. Com o menor reajuste médio em duas décadas, sobra pouco espaço para absorver uma alta de custo sem perder margem.
  • O teto do medicamento não espera. Quando o custo sobe e o preço de venda não pode subir junto, cada ponto de alta sai da margem.
  • A compra está espalhada. Muitos fornecedores, muitas notas e muitos compradores: ninguém vê a soma das altas, só uma nota de cada vez.
  • Alta não vista vira preço errado. Se o custo subiu e o preço de venda não foi revisto, a farmácia passa meses vendendo com uma margem que ninguém escolheu.

A margem não cai só no balcão. Ela cai também no recebimento, quando a nota mais cara entra e ninguém compara com a anterior.

Por que a maioria das redes não vê a alta de custo

  • A nota é conferida no recebimento pela quantidade e pelo produto, não pelo custo comparado com a compra anterior.
  • O sistema mostra o custo médio, que mistura o estoque antigo com o novo e esconde a alta.
  • O comprador negocia condição e prazo, mas raramente volta para ver se o custo combinado é o que veio na nota.
  • A revisão de preço de venda acontece uma vez por ano, ou quando a margem já caiu.

Como a MySeer entrega essa visão

A MySeer mostra, produto a produto, quanto o custo mudou nas últimas compras:

  • O custo das últimas compras lado a lado. As datas e o custo de cada uma das últimas entradas do produto, numa linha só.
  • A variação em reais e em percentual. Quanto o custo subiu ou caiu da compra anterior para a última, com seta vermelha quando sobe e verde quando cai.
  • As maiores altas primeiro. A lista já vem ordenada pela maior variação, para começar pelo que mais pesa.
  • Até a nota fiscal. Para cada produto, as notas de entrada com a loja, o fornecedor, a data e o custo, para saber qual nota e qual fornecedor trouxeram a alta.
O custo das últimas compras, produto a produto, com a variação da quantidade e do custo em reais e em percentual
O custo das últimas compras de cada produto e quanto ele variou, com as maiores altas no topo, no painel Variação de Entrada da MySeer. Dados fictícios.

E a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume quantos produtos subiram e quais foram as maiores altas, e indica qual nota conferir, o que renegociar e onde rever o preço.

A pergunta deixa de ser "por que a margem caiu?" e passa a ser "qual nota trouxe a alta, e o que vamos fazer com ela?".

A alta de custo é uma das pontas da margem. As outras estão no blog: como acompanhar a margem bruta e o CMV, quanto o desconto no balcão tira do resultado e como o Open to Buy define quanto comprar antes do pedido.

Cinco perguntas para a próxima reunião de compras

  1. Quais produtos ficaram mais caros na última compra, e quanto?
  2. Alguma alta é grande demais para ser real? Alguém conferiu a nota?
  3. Quais fornecedores concentram as maiores altas desde o último reajuste?
  4. Dos produtos que subiram, em quais o preço de venda já está no teto?
  5. Quem revisa o preço de venda quando o custo sobe, e com que frequência?

Se a rede só percebe a alta de custo quando a margem do mês fecha menor, a variação de custo de entrada ainda não faz parte da rotina de compras.

Perguntas frequentes

O que é variação de custo de entrada?

É quanto o custo de um produto mudou entre uma compra e outra. Compara o custo unitário da última nota de entrada com o das compras anteriores, em reais e em percentual, e mostra quais produtos ficaram mais caros.

Por que acompanhar o custo de cada compra, e não só o custo médio?

Porque o custo médio do estoque dilui a alta. Uma nota mais cara entra misturada ao estoque antigo, e a margem cai aos poucos, sem um momento claro em que alguém perceba. Olhar compra a compra mostra a alta no dia em que ela chega.

O que fazer quando o custo de um produto sobe?

Primeiro, conferir a nota, porque uma alta fora do comum pode ser erro de digitação ou de unidade. Depois, renegociar com o fornecedor ou buscar outra fonte de compra. Se a alta não tem negociação possível, rever o preço de venda, quando ele não está no teto.

A farmácia pode repassar o aumento de custo do medicamento ao cliente?

Só até o preço máximo ao consumidor definido pela CMED. Se o custo sobe e o preço de venda já está perto do teto, a diferença sai da margem. Nos produtos de preço livre, como higiene e beleza, o repasse depende da concorrência.

Com que frequência olhar a variação de custo?

Toda vez que chega tabela nova de fornecedor, nas semanas depois do reajuste anual dos medicamentos e na revisão de preços de venda. Em rotina, uma olhada semanal nas maiores altas basta para não deixar nenhuma passar.

Fontes

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Rafael José
Sobre o autorRafael JoséDiretor Comercial da MySeer

Diretor Comercial da MySeer, Rafael José tem 16 anos de experiência no mercado farmacêutico, com atuação em consultoria e na área comercial. Participou da criação de soluções para o varejo e hoje ajuda redes de farmácias a transformar desafios de gestão em resultados.

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