No acumulado do ano até junho de 2026, as marcas próprias cresceram 11,9% em valor e 10,9% em volume no Brasil, 3,8 vezes mais que os demais produtos, segundo a NielsenIQ. E o varejo farmacêutico pesa mais nesse movimento do que no consumo em geral: o canal farma responde por 27,2% do valor vendido em marcas próprias, contra 16,8% da cesta total. Num dos grandes grupos de farmácias associadas do país, as marcas próprias faturaram R$ 130 milhões em 2025, alta de 18,2%.
O consumidor também está aberto: na pesquisa Opinion Box de 2026, 27% dos entrevistados disseram preferir produtos de marca própria na farmácia.
Para a rede, a marca própria na farmácia é uma das poucas alavancas que ajudam venda e margem ao mesmo tempo. Mas só se for medida. A pergunta "quanto vendemos de marca própria?" não basta. A pergunta útil é: onde a marca própria já é forte, onde ela ainda tem espaço e quem, no balcão, está oferecendo?
O que os números do mercado ensinam
1. O cliente de farmácia já compra marca própria
O peso do canal farma nas marcas próprias, bem acima do peso que ele tem na cesta total, mostra que o consumidor de farmácia aceita a marca da rede. A barreira deixou de ser o cliente. Passou a ser a execução: sortimento, exposição e oferta no balcão.
2. O crescimento vem de categorias, não da marca como um todo
No grupo citado, o avanço veio puxado principalmente pelas vitaminas. Marca própria cresce categoria por categoria. Uma média geral de participação esconde onde ela já domina e onde ainda nem começou.
3. Preço é o argumento, e precisa ser defendido
Entre quem prefere a marca própria, 44% citam o preço mais acessível como principal motivo, segundo a mesma pesquisa Opinion Box. Se a marca própria falta na gôndola ou não é oferecida, o cliente leva a marca do fabricante e a vantagem de preço some.
Marca própria na farmácia: o que medir
Medir a marca própria começa por um ponto de dados que muita rede subestima: o cadastro precisa dizer, sem ambiguidade, quais produtos são marca própria. Sem isso, cada relatório chega a um número diferente. Com o cadastro em ordem, cinco medidas organizam a gestão.
1. Participação na venda
A venda de marca própria dividida pela venda líquida total. É o número que costuma ter meta. Sozinho, porém, ele não diz onde agir.
2. Participação na margem
Quanto da margem bruta da rede vem da marca própria. É a medida que mostra se a marca própria está cumprindo o papel de proteger a margem. Uma marca própria que vende muito com margem baixa pode estar só trocando a venda de um produto por outro.
3. Participação por categoria
A mesma conta, categoria a categoria, com o crescimento contra o ano anterior. Categorias que vendem muito para a rede, mas com participação baixa de marca própria, são as oportunidades. Categorias em queda pedem explicação.
4. Quem oferece no balcão
A participação da marca própria na venda de cada vendedor e a proporção de clientes que levaram pelo menos um produto de marca própria. Se a participação varia muito entre vendedores da mesma loja, a diferença está na oferta.
5. Estoque da marca própria
Falta, excesso e cobertura dos produtos de marca própria. Marca própria em falta é venda que vai para a marca do fabricante, com margem menor. Marca própria em excesso é capital parado num produto que só a sua rede vende.
Exemplo hipotético: uma rede vende R$ 1,3 milhão no mês, com 7,5% de participação de marca própria. Na categoria de vitaminas, a marca própria já passa de 60% da venda. Em tratamento facial, outra categoria de venda relevante, ela fica perto de 12%. A meta geral de "aumentar a participação" vira uma ação concreta: sortimento e oferta em tratamento facial.
Por que isso importa agora
- A margem está pressionada. Com reajuste de preços baixo e as grandes redes vendo a margem recuar, cada ponto de participação de marca própria em categorias de boa margem ajuda o resultado.
- O crescimento está acelerado. Marcas próprias crescendo bem acima dos demais produtos significam que o concorrente também está investindo nelas. Quem não mede perde a referência.
- A diferenciação conta. O produto de marca própria só existe na sua rede. É uma das poucas formas de o cliente não comparar o mesmo item, pelo mesmo nome, com o preço do concorrente.
Cada venda de marca própria é margem que fica em casa.
Por que a maioria das farmácias ainda não enxerga isso
- O cadastro não ajuda. Produtos de marca própria mal identificados geram números diferentes em cada relatório, e ninguém confia em nenhum.
- A participação aparece como um número só. Sem a abertura por categoria, loja e vendedor, a meta de marca própria vira um percentual que ninguém sabe como mover.
- A margem não é medida junto. A participação na venda é acompanhada; a participação na margem, quase nunca.
- O dado fica preso no sistema de gestão (ERP) e chega ao gerente em planilha, depois do fechamento.
Como a MySeer entrega essa visão
A MySeer transforma a marca própria num indicador de gestão de mix e de equipe:
- Venda, participação e margem juntas. A venda de marca própria, a participação na venda contra a meta, a margem, o ticket, os clientes e a participação na margem da rede, numa mesma barra de indicadores.
- Onde é forte e onde tem espaço. A venda total, a venda de marca própria, a participação, o crescimento no ano e no mês e a margem de cada categoria.
- Quem vende no balcão. A participação da marca própria na venda de cada vendedor e a proporção de clientes que levaram marca própria, além dos produtos mais vendidos.
- Tendência e estoque. Os últimos doze meses contra o ano anterior, também por loja, e o estoque da marca própria: excesso, cobertura e falta.
E, para ir além, a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume a marca própria da rede e indica em quais categorias ganhar espaço primeiro.
O gestor deixa de perguntar "quanto vendemos de marca própria?" e passa a perguntar "em qual categoria, em qual loja e com qual vendedor a marca própria ainda pode crescer?".
A marca própria conversa com o mix e a margem da rede: veja Genéricos em alta: sua farmácia está acompanhando a mudança do mix?, Margem bruta e CMV na farmácia e o guia dos indicadores de desempenho da farmácia.
Cinco perguntas para levar à próxima reunião de mix
- Qual a participação da marca própria na venda e na margem da rede, e como ela se compara com a meta?
- Em quais categorias que vendem muito a marca própria ainda tem participação baixa?
- Em quais categorias a marca própria está caindo contra o ano passado, e por quê?
- Quais lojas e vendedores quase não vendem marca própria?
- Algum produto de marca própria está em falta ou com estoque acima do necessário?
Se essas respostas dependem de uma planilha montada à mão, a marca própria da sua rede está crescendo por acaso, e não por gestão.
Perguntas frequentes
O que é marca própria na farmácia?
São produtos vendidos com uma marca que pertence à rede ou ao grupo de farmácias, e não a um fabricante. Costumam aparecer em categorias como vitaminas, higiene, fraldas, curativos e dermocosméticos, e são fabricados por terceiros para a rede.
Como calcular a participação da marca própria?
Divida a venda de marca própria pela venda líquida total no mesmo período. Vale fazer a mesma conta por categoria, por loja e por vendedor, e também medir quanto da margem bruta da rede vem da marca própria.
Marca própria sempre dá mais margem?
Não existe garantia. A margem depende do custo negociado com o fabricante, do preço praticado e do giro. Por isso a margem da marca própria precisa ser medida, e não presumida, categoria a categoria.
Em quais categorias a marca própria tem mais espaço?
Nas categorias que vendem muito para a rede, mas em que a marca própria ainda tem participação baixa. A tabela de venda total e participação por categoria mostra onde ela já é forte e onde ainda pode crescer.
Qual o papel do balconista na venda de marca própria?
Grande. Muitas vezes o cliente só conhece a marca própria porque alguém ofereceu no balcão. Acompanhar a participação da marca própria e a proporção de clientes que a levam, por vendedor, mostra quem oferece e quem precisa de treinamento.
Fontes
- GiroNews. Marcas próprias crescem no Brasil e grandes varejistas concentram 65% das vendas. 20 ago. 2026. Análise NielsenIQ, acumulado do ano até junho de 2026.
- GiroNews. Marcas próprias da Farmarcas faturam R$ 130 milhões em 2025. 7 abr. 2026.
- Guia da Farmácia. 72% dos consumidores priorizam preço na hora de escolher a farmácia. 2 jun. 2026. Opinion Box, "Uso de Medicamentos no Brasil 2026", 1.000 entrevistados em março de 2026.
Cofundador e Diretor de Operações da MySeer, Felipe Abbdia atua há 10 anos no segmento farmacêutico e é especialista em arquitetura de dados e tecnologia. Responde pela operação da MySeer e pela estrutura que transforma os dados das redes de farmácias em informação confiável para a tomada de decisão.







