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Open to Buy no varejo farma. Quanto a sua rede ainda pode comprar este mês
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Open to Buy no varejo farma. Quanto a sua rede ainda pode comprar este mês

O excesso nas compras causa 45% das perdas por vencimento nas farmácias. Veja como o Open to Buy transforma a venda prevista em verba de compra.

Murilo Itagiba
Murilo Itagiba · Cofundador e CEO da MySeerPublicado em •7 min de leitura

Na pesquisa da Abrappe com a KPMG, o excesso nas compras respondeu por 45,33% das perdas por vencimento das farmácias, a maior causa individual. O presidente da Abrappe, Carlos Eduardo Santos, resumiu: "Muitas vezes, o produto não vence na loja. Ele começa a vencer na decisão de compra."

E o excesso não custa só quando vence. Com a Selic em 13,75% ao ano em setembro de 2026, segundo a Agência Brasil, todo real a mais no estoque é um real que deixou de render ou que precisou ser financiado.

A maioria das redes descobre que comprou demais quando o estoque já está cheio. O Open to Buy inverte a ordem: antes do pedido, ele responde quanto a rede ainda pode comprar este mês. Neste artigo você vai ver o que é o OTB, como ele funciona no varejo farmacêutico e por que ele é, antes de tudo, uma ferramenta de conversa com o comprador.

O que os números do mercado ensinam

1. A perda começa no pedido

Quase metade das perdas por vencimento vem do excesso nas compras. Quando o volume comprado passa do que a loja consegue vender dentro da validade, o prejuízo já está contratado no dia do pedido. Corrigir depois sai caro.

2. Condição boa não é motivo para comprar mais

O presidente da Abrappe aponta que condições comerciais atraentes podem gerar perdas quando o volume excede o que pode ser vendido antes do vencimento. Desconto por volume só vale se o volume cabe na venda.

3. Cortar a compra também não resolve

"Boa gestão de estoque não significa necessariamente reduzir estoque", diz ele. Comprar de menos leva à ruptura. O objetivo do orçamento de compras não é comprar pouco: é comprar o que a venda prevista sustenta.

Open to Buy: o conceito em quatro perguntas

O Open to Buy nasceu no varejo de moda, onde a coleção tem prazo para vender. Mas a lógica serve para qualquer varejo que compra milhares de itens de centenas de fornecedores, como a farmácia. Quatro perguntas organizam o orçamento.

1. Quanto a rede vai vender?

Tudo começa na venda prevista dos próximos meses. É ela que define o tamanho da compra. Uma previsão otimista demais vira excesso; pessimista demais, vira falta. Por isso a previsão precisa partir do histórico e ser revista todo mês.

2. Quanto isso representa em compra?

A venda é em preço de venda; a compra é em custo. Convertida para o custo da mercadoria, a venda prevista vira a verba de compra do mês: o quanto a rede pode comprar para repor o que vai vender.

3. Quanto da verba já está comprometido?

Antes de liberar um pedido novo, é preciso descontar o que já foi assumido: pedidos em aberto e contas a pagar que vencem no período. O que sobra é o saldo, o verdadeiro "aberto para comprar". Saldo que passa de um mês para o outro, para mais ou para menos, mostra se o comprador está acumulando folga ou estouro.

4. Quem decide cada parte da compra?

Uma verba única para a rede inteira não diz a ninguém quando parar. Dividida por comprador, ela vira responsabilidade: cada comprador sabe quanto ainda pode comprar, e a gestão vê quem está dentro do orçamento e quem já estourou.

Exemplo hipotético: uma rede prevê vender R$ 1,5 milhão no mês, com custo da mercadoria de 68%. A verba de compra do mês é de R$ 1,02 milhão. Já estão comprometidos R$ 600 mil em contas a pagar que vencem no mês e R$ 300 mil em pedidos em aberto. Sobram R$ 120 mil. Se um fornecedor oferece um desconto para um pedido de R$ 200 mil, o OTB mostra, antes da assinatura, que esse pedido estoura o mês em R$ 80 mil. A decisão pode até ser comprar, mas passa a ser consciente.

Por que isso importa agora

  • Dinheiro caro. Com a Selic em 13,75%, estoque em excesso pesa no caixa mesmo antes de vencer.
  • O vencimento nasce na compra. A maior causa de perda por vencimento é o excesso comprado, não a loja.
  • A compra está mais dividida. Com mais compradores e mais fornecedores, sem orçamento por comprador ninguém enxerga o total até a nota chegar.
  • Caixa é estratégia. Saber quanto vence de contas a pagar em cada mês é saber quanto a rede pode assumir de pedido novo.

Comprar sem verba definida é estoque e caixa fora de controle.

Por que a maioria das redes ainda compra sem orçamento

  • A venda prevista fica com o comercial, as contas a pagar com o financeiro e os pedidos com o comprador. Ninguém junta as três.
  • O orçamento de compras, quando existe, é uma planilha feita no começo do mês, que não acompanha os pedidos que entram depois.
  • O comprador é cobrado por falta e por condição comercial, mas não pelo total que comprou.
  • O estouro só aparece quando o estoque já está alto e o caixa já está apertado.

Como a MySeer entrega essa visão

A MySeer transforma a venda prevista em verba de compra para cada comprador:

  • Da venda prevista à verba. A venda e o custo médios recentes e a venda prevista dos próximos meses, que vira a verba de compra.
  • Verba por comprador, mês a mês. Quanto cada comprador recebeu, quanto já comprometeu e quanto ainda tem, com destaque para quem tem folga e quem estourou.
  • O comprometido aberto. As contas a pagar por mês de vencimento e os pedidos em aberto de cada comprador, até o fornecedor e o pedido.
  • A visão da empresa. O mesmo orçamento somando todos os compradores, mês a mês.
Verba de compra por comprador, mês a mês: verba distribuída, contas a pagar, pedidos e o saldo, em verde com folga e em vermelho estourado
A verba de compra de cada comprador, mês a mês, no painel OTB da MySeer. Em verde, saldo com folga; em vermelho, verba estourada. Dados fictícios.

E a IRIS, assistente de dados da MySeer, resume o orçamento e indica quais compradores segurar e onde usar a verba que sobra.

O comprador deixa de perguntar "quanto o fornecedor quer vender?" e passa a perguntar "quanto eu ainda posso comprar este mês?".

O OTB evita o problema antes; o resto do blog mostra o que acontece sem ele: o que o excesso revela sobre as compras, como o estoque parado vira vencimento e quem financia a farmácia, no artigo sobre prazo de pagamento e giro.

Cinco perguntas para a próxima reunião de compras

  1. Qual é a venda prevista para os próximos meses, e quem revisa essa previsão?
  2. Quanto da verba do mês já está comprometido em pedidos e contas a pagar?
  3. Quais compradores estão com a verba estourada, e desde quando?
  4. Algum comprador tem saldo sobrando enquanto há itens em falta na rede?
  5. Em quais meses as contas a pagar se concentram?

Se a rede só descobre o estouro quando a nota chega, o OTB ainda não faz parte da rotina de compras.

Perguntas frequentes

O que é Open to Buy (OTB)?

É o orçamento de compras. O Open to Buy transforma a venda prevista em uma verba de compra para o período e mostra quanto dela já está comprometido em pedidos e contas a pagar, e quanto ainda está aberto para comprar.

Como calcular o Open to Buy?

Em linhas gerais, parta da venda prevista do mês, converta para o custo da mercadoria e chegue à verba de compra. Dela, desconte o que já está comprometido, como pedidos em aberto e contas a pagar do período. O que sobra é o que ainda pode ser comprado.

Por que dividir a verba por comprador?

Porque cada comprador decide uma parte da compra. Com verba própria, ele sabe quanto ainda pode comprar, e a gestão vê quem está dentro do orçamento e quem já estourou, antes que o excesso chegue ao estoque.

O que fazer quando o comprador estoura a verba?

Segurar os pedidos que não são urgentes, priorizar os itens em falta e rever as compras programadas. Se outro comprador tem saldo sobrando, a gestão pode remanejar a verba de forma consciente, em vez de deixar o estouro passar.

O Open to Buy serve para farmácia?

Sim. O conceito nasceu no varejo de moda, mas serve para qualquer varejo que compra muitos itens de muitos fornecedores. Em farmácia, ajuda a evitar o excesso que vira vencimento e a proteger o caixa.

Fontes

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Murilo Itagiba
Sobre o autorMurilo ItagibaCofundador e CEO da MySeer

Cofundador e CEO da MySeer, Murilo Itagiba tem 18 anos de experiência no varejo farmacêutico e é especialista em dados aplicados à gestão de farmácias. Atuou por muitos anos como consultor de grandes empresas do setor, apoiando as áreas de compras e vendas na estruturação de processos e indicadores. Hoje lidera a estratégia da MySeer.

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